29/06/2009
Sabia que no fundo, dentro dela, era a mesma pessoa. Sabia, mas negava. Alisava o cabelo. Trocava de roupa.
Sempre seria ela, não importa o que faça. E violentava-se com o dia a dia terrível da mesmice sem tamanho, das coisas comuns, dos mesmos lugares.
Aceitava a burrice e se perturbava. Esbravejava. Mas no final, sempre aceitava porque era cômodo.
Não tinha forças para revolucionar, nem coragem para chocar. Cansou-se. Casou-se. Aceitou a vidinha mais ou menos.
Rendeu-se.
Ouvia todas aquelas pessoas, aquelas que não sabem o que falam, aquelas que vivem em seus mundinhos da introspecção umbilical, ouvia e não se encantava. Não se apaixonava por mais nada.
Nem um livro.
Nem nada.
Não existiam forças dentro dela. Aceitava muda. Rangia os dentes. Na hora de dormir.
Na manhã seguinte, trocava de roupa e alisava o cabelo.
Sempre seria ela, não importa o que faça. E violentava-se com o dia a dia terrível da mesmice sem tamanho, das coisas comuns, dos mesmos lugares.
Aceitava a burrice e se perturbava. Esbravejava. Mas no final, sempre aceitava porque era cômodo.
Não tinha forças para revolucionar, nem coragem para chocar. Cansou-se. Casou-se. Aceitou a vidinha mais ou menos.
Rendeu-se.
Ouvia todas aquelas pessoas, aquelas que não sabem o que falam, aquelas que vivem em seus mundinhos da introspecção umbilical, ouvia e não se encantava. Não se apaixonava por mais nada.
Nem um livro.
Nem nada.
Não existiam forças dentro dela. Aceitava muda. Rangia os dentes. Na hora de dormir.
Na manhã seguinte, trocava de roupa e alisava o cabelo.
02/02/2009

Gostava de observar o vaso de violetas na bancada. Passavam dias sem água naquele calor senegalesco e continuavam a florescer.
Aquele vaso de violetas roxas a intrigava. Às vezes achava desafiador o modo com que os botões de violetinhas a encaravam.
As violetinhas a violentavam.
Continuavam a brotar apesar de tudo. Não se importavam com a camada de ozônio, com o presidente dos Estados Unidos, com a conta no negativo, com o filho não querido, com os remédios, com as sessões de terapia, com a internet, com o xadrez de volta na moda.
Não ligavam para nada. Observavam silenciosas as crises nervosas da moça que as observava.
Nada tirava a paz daquelas violetas.
Dois dias antes do azul se tornar vermelho, resolveu que precisava de uma planta que fosse mais parecida com ela. Jogou o vaso de violeta no lixo e colocou uma Drosera Montana no lugar.
Pelo menos essa reagiria aos mosquitos que atrapalhavam sua noite.
11/11/2008
Não durmo de pijama
Tenho preguiça
E depressão momentânea.
E medo.
De mim e da vida.
Da vida toda que tenho pela frente e não queria.
Não queria.
(you can do it IF you really want)
Tenho preguiça
E depressão momentânea.
E medo.
De mim e da vida.
Da vida toda que tenho pela frente e não queria.
Não queria.
(you can do it IF you really want)
29/09/2008

Percebeu a morte na gengiva branca. Antes tão cheia de sangue, agora pálida. Morta. Nunca tinha visto a morte tão de perto. O corpo frio. O corpo que antes andava. Naquele momento era só, estendido no chão. Na mesma temperatura do chão.
Passou as mãos pela última vez na sua cabeça e ainda não conseguia entender o que sentia. A morte é mesmo cruel. Desorienta num primeiro momento.
Não é fácil aceitar aquele corpo ali, pesado, sem cor. Sem alma.
Deixou-se levar pela falta do fluxo no sangue. Entendeu como tudo parava. Tinha a mão sobre seu coração quando este parou. E de repente o corpo se larga. O sangue empossa nas veias. As veias paradas, o coração parado. A língua sem cor.
Olhou nos olhos daquela criatura que a pouco, assustada, pedia socorro e entendeu que a vida era isso. Somente o fluxo de sangue nas veias.
O amor que sentia por ela era ainda tão vivo e quente que queria abraçar e acolher. Aquecer aquelas veias, velhas, frias e mortas. Sabia que não podia.
Despediu-se, então, da grande amiga, que caminhou durante toda vida ao seu lado. Esta já sabia o que ela, só dali a alguns anos, iria descobrir.
à minha melhor amiga, que me ensinou muito sobre a vida e me fez entender o que era a morte.
25/08/2008
Origami

Ela tinha medo das formas que o papel tomava a cada vez que o dobrava. Queria desenrolar a vida e continuava dobrando.
Cada vez mais.
Começou com papéis que não cabiam na mesa. Precisava de 4 mãos para dobrá-los. Fez sua casa de papel. Seu cachorro de papel. Tinha até um panda de papel.
Sua coroa. Seu passarinho.
Ali era fácil e nada a perturbava. Até que um dia o papel não dobrou do modo que queria e as formas deformaram.
Chorou em cima dos papéis milimetricamente cortados em quadrados perfeitos. Suas lágrimas borraram as mil cores do pacote japonês.
Não entendia porque a vida não poderia ser simples como os passos do origami.
Fez um coração de papel. Uma rosa de papel.
E os enterrou numa caixa no fundo do armário.

Ela tinha medo das formas que o papel tomava a cada vez que o dobrava. Queria desenrolar a vida e continuava dobrando.
Cada vez mais.
Começou com papéis que não cabiam na mesa. Precisava de 4 mãos para dobrá-los. Fez sua casa de papel. Seu cachorro de papel. Tinha até um panda de papel.
Sua coroa. Seu passarinho.
Ali era fácil e nada a perturbava. Até que um dia o papel não dobrou do modo que queria e as formas deformaram.
Chorou em cima dos papéis milimetricamente cortados em quadrados perfeitos. Suas lágrimas borraram as mil cores do pacote japonês.
Não entendia porque a vida não poderia ser simples como os passos do origami.
Fez um coração de papel. Uma rosa de papel.
E os enterrou numa caixa no fundo do armário.
29/07/2008
The heart eater
Her brother knew it better. It was just a matter of time, just a matter of getting tired of him like she has gotten with the other ones.
She was a heart eater. But it doesn´t mean that she didn´t love them. She loved them deeply. She is still in love with all of them. And she loves the ones that will still come.
She didn´t do it on purpose, she just couldn´t help but making them crying, but breaking their poor hearts.
Have you ever seen a kitty playing with a ball made of wool? Have you ever seen a girl playing with somebody else’s heart?
Her brother knew it better, it was just a matter of time and he enjoyed seeing her playing.
Her brother knew it better. It was just a matter of time, just a matter of getting tired of him like she has gotten with the other ones.
She was a heart eater. But it doesn´t mean that she didn´t love them. She loved them deeply. She is still in love with all of them. And she loves the ones that will still come.
She didn´t do it on purpose, she just couldn´t help but making them crying, but breaking their poor hearts.
Have you ever seen a kitty playing with a ball made of wool? Have you ever seen a girl playing with somebody else’s heart?
Her brother knew it better, it was just a matter of time and he enjoyed seeing her playing.
19/07/2008
How can I understand life without drama? Without feeling it burning under my skin, feeling it aching, twisting, making me unique.
I believe that I like to be misunderstood, misguided, misplaced.
Would I be the only one who knows? Would I be his door and his only way out?
I wonder what is going to give me peace. And rest.
I believe that I like to be misunderstood, misguided, misplaced.
Would I be the only one who knows? Would I be his door and his only way out?
I wonder what is going to give me peace. And rest.
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